quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Cyberbullying um novo fenómeno nas redes sociais


As primeiras referências ao cyberbullying surgiram nos meados de 2002, mas as primeiras definições foram em 2003, pela advogada norte americana, Nancy Willard e pelo canadiano Bill Belsey, em 2005. Assume-se como uma variante do tradicional bullying.

O que é o Cyberbullying?
É um tipo de violência (bullying) que ocorre nos meios eletrónicos, com mensagens difamatórias ou ameaçadoras que circulam por emails, SMS, MSN, sites, blogs (diários virtuais), redes sociais (facebook, Hi5, etc) e telemóveis. 
É quase uma extensão do que os adolescentes dizem e fazem na escola, mas com a agravante de que as pessoas envolvidas não estão cara-a-cara.

Praticar cyberbullying significa usar o espaço virtual para intimidar e hostilizar uma pessoa (colega de escola, professores, ou até mesmo desconhecidos), através da difamação, do insulto ou de atacar de forma covarde. 

Etimologicamente, o termo é formado a partir da junção das palavras «cyber», palavra de origem inglesa e que é associada a todo o tipo de comunicação virtual usando os meios digitais, como internet, sendo um ato de intimidar ou humilhar alguém,  conhecido como cyberbully.

Quando o bullying é presencial, o alvo é agredido psicologicamente, através de apelidos ou outros constrangimentos, ou ainda, através de agressões físicas por um atacante muito mais forte. 

O cyberbullying é mais fácil para os agressores, porque podem fazê-lo de forma anónima nas diversas redes sociais, através de emails ou de «torpedos» com conteúdos ofensivos e caluniosos. 
Dessa forma, o anonimato pode aumentar a crueldade dos comentários e das ameaças e os efeitos podem ser graves. 
O autor, assim como o alvo, ambos têm dificuldade de sair do seu papel e retomar aos valores que foram esquecidos ou formar novos.

Esse tormento que é a agressão pela internet faz com que os adolescentes humilhados não se sintam seguros em lugar ou momento algum. Não se apercebem das armadilhas dos relacionamentos digitais. Para eles, tudo é real, tanto para fazer amigos como para comprar, aprender ou combinar um passeio, sejam mais fáceis pelas vias tecnológicas. 

O cyberbullying pode surgir de vários tipos e formas:
  • provocar - uso de linguagem vulgar e ofensiva
  • perseguir ou assediar - envio repetido de mensagens desagradáveis
  • denegrir - divulgar mexericos, mentiras, boatos sobre a vítima com o objectivo de destruir a imagem e a reputação da mesma
  • personificar - passar-se pela vítima na ciberespaço ou usar o telemóvel para destruir o relacionamento com os seus amigos
  • violar a intimidade - partilhar online os segredos, informações pessoas, fotografias, vídeos embaraçosas da vítima, excluir a vítima de um grupo online de forma cruel e propositada
  • intimidar - envio de mensagens com insultos desagradáveis, com o objetivo de incutir medo ou intimidar a vítima.


Por meio de leis anti-cyberbullying que atualmente vigoram, os agressores anónimos podem ser descobertos e processados por calúnia e difamação, sendo obrigados a indemnizar a vítima. 

O cyberbullying é um fenómeno recente e é praticado entre adolescentes, mas também ocorre com frequência entre adultos.

É importante que pais, professores e amigos da vítima de Cyberbullying estejam atentos aos sinais deste tipo de agressão, pois são muito similares com os do bullying, tais como: 
  • distúrbio do sono
  • problemas de estômago
  • transtornos alimentares
  • irritabilidade
  • depressão
  • transtornos de ansiedade
  • dor de cabeça
  • falta de apetite
  • isolamento
  • decréscimo no rendimento escolar ou profissional ou aumento das horas de estudo
  • não quer estar com os amigos e colegas
  • não quer sair de casa
  • não quer atender o telemóvel
  • pensamentos destrutivos, como o desejo de morrer
  • outros
Em casos extremos, algumas vitimas cyberbullying são atacadas de uma forma tão agressiva que são levadas a cometer suicídio. Muitos desses casos começam vídeos ou fotografias íntimas das vítimas são introduzidos na internet.

Para lidar com o cyberbulling ter-se-á de ter o mesmo cuidado preventivo do bullying e a dimensão dos seus efeitos deve sempre ser abordada para evitar a agressão na internet. 
Trabalhar com a ideia de que nem sempre se consegue apagar o que foi parar à rede dá á turma a noção de como as piadas ou as provocações não são inofensivas. 
O que se chama de brincadeira pode destruir a vida do outro. É da responsabilidade da escola abrir um espaço para discutir este novo fenómeno.

Caso o cyberbullying ocorra, é necessário, deixar evidente para os adolescentes podem confiar nos adultos que os cercam para contar sobre os casos sem medo de represálias, como a proibição do uso das redes sociais ou dos telemóveis, uma vez que terão a certeza de que vão encontrar ajuda.  Mas, muitas vezes, os adolescentes não recorrem aos adultos porque acham que o problema vai piorar com a intervenção punitiva. 

O que fazer para esta mais seguro?

Não existe uma solução para acabar com este fenómeno, devido á interação entre os pares e o impacto das novas tecnologias na nossa vida social e profissional. Contudo, existe alguns cuidados a ter de forma a reduzir os perigos dos ataques do cyberbullying:

  • não deve disponibilizar informação privada
  • não partilhar informações pessoais ou intimas
  • não deve dar a palavra-passe a ninguém
  • guardar os registos de todas as mensagens que recebe
  • alterar a conta do correio eletrónico caso o cyberbullying persista
  • não aceitar pedidos de amizade com conteúdos inadequados. Aceitar apenas os pedidos de utilizadores que conhece pessoalmente
  • modificar o estado do perfil para privado
  • não publicar informações relacionadas com outros utilizadores
  • falar de forma educada aos contactos
  • não responder a nenhuma ameaça ou incitação de ódio


O Cyberbullying é um fenómeno preocupante e que pode atingir uma família, e que pode levar a graves consequências. Dever-se-á numa primeira fase a prevenção dentro do mundo familiar e depois a escola. A prevenção é impedir que os bullies continuem a prejudicar a comunidade familiar e escolar, fazendo com que percam a força e poder. Deverá haver união para que este fenómeno seja minimizado. 







































terça-feira, 13 de outubro de 2015

Bullying na Educação Infantil - É possível?


Se existe bullying na Educação Infantil
Sim, se houver a intenção de ferir ou humilhar o colega repetidas vezes.

Todos os pais devem ter em conta que os problemas com que se deparam as crianças quando entram na escola costumam ter origem muito antes dos três anos. 

Observa-se a agressividade na educação infantil a partir de inúmeras cenas que encontramos no quotidiano escolar e, até mesmo no meio familiar. 

A agressividade pode ser hostil, com a intenção de magoar ou de ser cruel com alguém, seja física ou verbalmente. Ou ainda pode aparecer com o intuito de conquistar uma recompensa, sem desejar o mal do outro. 

A agressividade surge ainda em reação a uma frustração. As birras, as gritarias e os chutos. Comportamento comum, mas que existe a necessidade de ser amenizado até extinguido, com o intuito de explicar à criança que não é um comportamento adequado. 

Outro aspeto fundamental ao desenvolvimento do comportamento agressivo é o meio ambiente em que a criança está inserida: família, escola, estímulos recebidos por meios de comunicação, e fatores inatos como sexo e hereditariedade. 

É essencial saber discernir quando um comportamento agressivo é passageiro, por motivos temporários, como o nascimento de um irmão, hospitalização ou a perda de um ente querido, mudança de casa ou escola. Pode ser considerado como um transtorno de conduta, caso em que será necessário um acompanhamento de um especialista para auxiliar e acabar com o problema. Se não dermos a devida importância nesta fase as atitudes poderão evoluir de forma prejudicial na adolescência e na vida adulta.

A diferença de sexo também pode indicar um aspeto da agressividade. Diversas investigações apontam que as raparigas evoluem precocemente, em relação aos rapazes para adaptarem-se em grupos e socializarem-se com maior facilidade. Os rapazes tendem a apresentar mais problemas para adaptação social. 

Segundo as teorias de Piaget, podemos classificar o desenvolvimento cognitivo em diversas etapas. Na educação infantil passamos por duas: Sensório-motora  que vai do nascimento aos 2 anos de idade. Nesta fase a criança utiliza basicamente os sentidos para conhecer o mundo. Tudo aqui acontece por reflexos e a criança leva tudo à boca; Pré-operatória que vai dos 2 aos 7 anos onde a criança começa a adquirir noções de tempo e espaço. Ainda não há raciocínio lógico e as ações para ela são irreversíveis. 

Uma criança que morde um colega até aos 2 anos de idade, não pode ser rotulada como agressiva. Nesta idade ela ainda não sabe usar a linguagem verbal e a linguagem corporal acaba por ser o meio mais eficaz de chamar atenção. Aqui a criança é egocêntrica, e acredita que o mundo existe em função dela.  
Entre crianças menores, é comum que as brigas estejam relacionadas com a disputa de território, de posse ou de atenção do pai, da mãe ou do educador/professor - o que não carateriza o bullying.

Quando uma criança morde ou empurra o seu colega, a sua intenção é obter o mais rápido possível o objeto desejado, visto que, não consegue verbalizar de forma coerente. 
Esta fase é natural, mas que fique bem claro, que o adulto não pode ficar de «braços cruzados», como simples observador, e sim agir quando necessário, evitando que as crianças se magoem, começar por explicar que tal atitude é errada. 

Por volta dos 2 anos de idade, há uma primeira tomada de consciência de «quem sou eu», separada de outros objetos, como a mãe.

Entre os 3 anos de idade a criança já adquiriu um bom vocabulário e começa a descobrir o prazer de brincar e de comunicar com o outro. O egocentrismo começa a desaparecer e a socialização inicia-se. Começam a identificar-se como um indivíduo diferente do outro, sendo possível que a criança seja alvo ou vítima de bullying. Esta conduta será mais frequente no momento em que estabelecer uma relação entre os pares, no dia-a-dia.

Já aos 4, 5 e 6 anos, alguns comportamentos de discriminação podem ser vistos como repetitivos. Por exemplo, se uma criança apresentar alguma particularidade, como não conseguir segurar o «xixi», e os colegas segredarem a situação ou lhe derem algum apelido para ofendê-la constantemente, trata-se de um caso de bullying. 

Será necessário diferenciar as vivências que a criança tem na família e na escola, onde ocorrem os comportamentos agressivos. Em casa, via da regra, a criança é sempre querida, amada e compreendida, o que não acontece no convívio social onde necessita de conquistar os amigos e inserir-se no grupo.

Muitas crianças recebem apelidos relacionados com os aspetos físicos e de desempenho (gordo, burro, chato, caixa de óculos...etc). Aqui o papel do educador/professor é essencial ao identificar e trabalhar com esses aspetos evitando que se repitam. 

A dramatização é uma ferramenta maravilhosa para fazer com que as crianças representem papéis. Essencial ainda para discutir sempre as experiências depois da dramatização. 

Criar regras elaboradas em conjunto também é uma ferramenta eficiente. Quando as próprias crianças criam as regras elas ganham um significado maior e têm um grande impacto nas ações.

Deve-se também trabalhar os valores morais éticos como a solidariedade, a partilha, cooperação, amizade, entre outros. Se o educador/professor criar um ambiente com atividades prazerosas durante o período de aula, a probabilidade de que comportamentos agressivos apareçam é muito menor.

A personalidade da criança forma-se aos 6 anos de idade e por isso, toda a sua experiência e qualidades vividas nesta fase são fundamentalmente importantes. Por mais que, às vezes, possa parecer ineficaz, o elogio, o afeto, o prazer e a compreensão tendem a resultados mais rápidos e mesmo stressantes do que o castigo, o sofrimento e a indiferença.

É muito importante detetar e combater o comportamento agressivo ainda na primeira infância, pois quando a criança não encontra obstáculos ou alguém que a alerte de que não é um comportamento adequado, ela irá perceber que consegue lidar e tirar proveito destas situações e no futuro certa,mente tornar-se-á um agente do bullying e muito provavelmente um adulto violento. 

Concluindo:

Percebemos que o bullying é um problema mundial, universal e preocupante, que para ser combatido será necessário estarmos todos atentos, pois ele pode passar despercebido aos nossos olhos, causando problemas físicos e psicológicos nas crianças/adolescentes/adultos que são alvo de bullying.
Sendo assim, será recomendável que o educador/professor aperfeiçoe a sua metodologia e tome mais conhecimento do problema que é o bullying. Outra sugestão seria o aumento de reuniões/encontros com os pais-filho, família-escola e, principalmente, aluno-aluno.

«A Educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida.» (John Dewey)




                











segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Bullying não é Brincadeira...




O Bullying é uma situação que se carateriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas.
O termo Bullying teve origem da palavra «bully», que significa valentão.Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação e humilhação.
O bullying pode ocorrer em qualquer contexto social, como escolas, universidades, famílias, vizinhança ou, até mesmo, em locais de trabalho. O que, à primeira vista, pode parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa.

Além de um possível isolamento ou queda do rendimento escolar, crianças e adolescentes que passam por humilhações racistas ou difamatórias podem apresentar doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que vai influenciar a personalidade. Em alguns casos extremos de bullying, chega mesmo afetar o estado emocional de tal maneira que muitas das vezes a vítima opte por soluções mais trágicas, como por exemplo o suicídio.


Por que ocorre?
O autor do bullying atinge o colega com repetidas humilhações. É uma pessoa que não aprendeu a transformar a raiva em diálogo e para quem o sofrimento do outro não é motivo para ele deixar de agir. Pelo contrário, sente-se satisfeito com a opressão do agredido, supondo ou antecipando o quão doloroso será aquela crueldade vivida pela vitima. 
Contudo o agressor promove o bullying porque:

  • quer ser o mais popular;
  • quer sentir-se o poderoso;
  • quer obter uma boa imagem de si mesmo perante todos os que o admiram.
Juntando o agressor e a vítima, quem assiste também participa no bullying. É comum pensar que há apenas dois envolvidos no conflito, mas não é verdade. Quem assiste mesmo que não faça parte do ato de bullying, não sai em defesa da vítima, tem um comportamento passivo, podendo ocorre por medo de poder vir a ser um alvo de ataque ou por falta de iniciativa para tomar partido.
Também são considerados quem assiste os que atuam como plateia, os que reforçam a agressão, os que riem ou os que incentivam o ato através de palavras. São estes que passam a mensagem através de imagens (vídeos), partilhando as mesmas na Internet, tornando-os os coautores. 

O alvo do bullying costuma ser uma criança/adolescente com baixa auto-estima e que se sente retraído tanto na escola como no seu ambiente familiar. Devido a estas caraterísticas, dificilmente o alvo consegue reagir. Aqui entra a repetição do bullying, pois se o aluno procura ajuda, a tendência é que a provocação acabe. 
Além dos dos traços psicológicos, os alvos deste tipo de violência costumam apresentar particularidades físicas. As agressões podem ainda abordar aspetos culturais, étnicos e religiosos. Pode também acontecer a um aluno que tenha ido para uma nova escola ou que seja bonito, podem acabar por ser perseguidos pelos colegas.

O alvo que sofre de bullying, principalmente quando não pede ajuda, enfrenta medo e vergonha de ir à escola. Pode querer abandonar a escola, não se achar bom para integrar o grupo e apresentar baixo rendimento escolar.
Sabe-se que uma percentagem das vítimas nunca procuram ajuda ou nunca falam sobre o problema, nem mesmo com os colegas. Muitas das vezes as vítimas chegam a concordar com a agressão, dizendo: «Se sou gorda, por que vou dizer o contrário?».
Os que podem reagir alternam momentos de ansiedade e agressividade. Para mostrar que não são covardes ou quando se apercebem que os seus agressores ficam impunes, os alvos podem escolher outras pessoas mais indefesas e passam a provocá-las, tornando-se alvo e agressor ao mesmo tempo.

Tanto a agressão física ou a emocional são graves e causam danos ao alvo do bullying. 
Por ter consequências imediatas e facilmente visíveis, a violência física muitas das vezes é considerada a mais grave do que insultar, embora a emocional deixe muitas marcas psicológicas até ser adulto, o que prejudica o desenvolvimento da personalidade do alvo do bullying.

Por vezes perguntam-me se existe alguma diferença entre o bullying praticado por rapazes e raparigas. De modo geral, existe algumas diferenças. O comportamento dos rapazes é mais expansivo e agressivo, mais fáceis de identificar. Eles gritam, empurram e batem.
Já no universo feminino o problema apresenta-se através de boatos, olhares e exclusão. As raparigas raramente dizem que o fazem. Quem sofre não sabe o motivo e sente-se culpada. Agem dessa forma porque a imagem que a sociedade espera delas é de serem boas raparigas, dóceis e passivas. Para demonstrar qualquer sentimento contrário utilizam meios mais discretos. Tenho de admitir que as raparigas também sentem raiva. A agressividade é natural do ser humano. Contudo, começamos a presenciar agressões físicas por parte das raparigas, com o objetivo de popularidade.

Se estamos num ambiente escolar, pode surgir bullying dentro da sala de aula. Caso surja uma situação no género, a intervenção deve ser imediata. O professor pode identificar os autores do bullying: autores, espectadores e os alvos. Será necessário distinguir o limiar entre uma piada aceitável e uma agressão. 
Conselhos possíveis:
  • incentivar a solidariedade, a generosidade e o respeito às diferenças por meio de conversas, campanhas de incentivo à paz e á tolerância, trabalhos didáticos, como atividades de cooperação e interpretação de diferentes papéis em um conflito.
  • desenvolver em sala de aula um ambiente favorável à comunicação entre alunos.
  • quando algum aluno fizer queixa de ser alvo de bullying, o professor deve procurar a direcção da escola e expor a situação.
Pode surgir dentro, como também pode surgir fora da sala de aula. O professor é um exemplo fundamental de pessoa que não resolve problemas com violência. 
Não adianta, pensar que o bullying é só um problema dos encarregados de educação quando ocorre do na escola. É papel da escola construir uma comunidade na qual todas as relações são respeitadas. Deve-se consciencializar os pais e os alunos sobre os efeitos das agressões fora do ambiente escolar, como por exemplo: Internet.
A intervenção da escola não passa pelo agressor e pela vítima, mas também passa dos que assistem ao bullying de forma pacífica. 

Podemos considerar o professor também um alvo de bullying?
Conceitualmente, não, pois, para ser considerado bullying, é necessário que a violência ocorra entre pares, como colegas de escola ou de trabalho. 
O professor pode sofrer outro tipo de agressões, como injurias, difamação ou físicas, por parte de um ou mais alunos. Mesmo não sendo entendida como bullying, trata-se de uma situação que exige reflexão sobre a convivência entre os membros da comunidade escolar. Quando as agressões ocorrem, o problema está na escola como um todo.
O professor é a autoridade na sala de aula, mas essa autoridade só é legitima como reconhecimento dos alunos em relação ao respeito mútuo.

Podemos falar de algumas atitudes para que o bullying possa vir a ser evitado, proporcionando um ambiente saudável na comunidade escolar:

  • conversar com os alunos e escutar atentamente as reclamações ou as sugestões.
  • estimular os alunos a informar casos de bullying.
  • reconhecer e valorizar as atitudes dos alunos no combate ao problema.
  • criar com os alunos regras de disciplina na sala de aula.
  • estimular lideranças positivas entre os alunos, prevenindo futuros casos.
  • interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica do bullying.
O 1.º passo é admitir que a escola é um local passível de bullying, sendo necessário informar os professores e alunos sobre o que é o problema e deixar bem claro que o estabelecimento de ensino não admitirá a prática de bullying.
A escola não deve ser apenas um local de ensino formal, mas também de formação cívica de direitos e deveres, amizade, cooperação e solidariedade. Agir contra o bullying é uma forma barata e eficiente de diminuir a violência entre os alunos e na sociedade. 

Quando os alunos envolvidos num caso de bullying, o foco deve voltar-se para a recuperação de valores essenciais, como o respeito pelo que o alvo sentiu ao sofrer a violência. 
A escola não deve legitimar a atuação do autor da agressão, nem humilhá-lo ou puni-lo com medidas não relacionadas ao mal causado, como por exemplo: proibi-lo de frequentar o intervalo. 
Já o alvo precisa de ter a autoestima fortalecida e sentir que está num lugar seguro para falar sobre o que aconteceu. É preciso consciencializar a quem assiste ao bullying que acaba por «adoçar» a ação do autor. A exibição de filmes que retratam o bullying pode ajudar no trabalho. A partir do momento que a escola fala com quem assiste à violência, o público irá parar de «aplaudir o espetáculo« e o autor começa a perder a fama, a popularidade. 

O que mais me entristece é quando os autores do bullying escolhem outro tipo de alvos. Alvos estes inofensivos, que não sabem como se defender. Estou a falar dos alunos com deficiência.
Deve-se conversar abertamente sobre a deficiência, tendo de ser uma ação quotidiana na escola. O bullying contra alunos com deficiência costuma ser estimulado pela falta de conhecimento sobre as deficiências, sejam elas físicas ou intelectuais, e, por vezes, pelo preconceito trazido de casa.
É normal os alunos reagirem negativamente diante de uma situação desconhecida e diferente. Cabe ao professor estabelecer limites para essas reações e procurar erradicá-las  não pela imposição, mas por meio de consciencialização e esclarecimento. 

Não se trata de estabelecer vítima e culpados quando o assunto é o bullying. Isto só reforça uma situação polarizada e não ajuda em nada a resolução dos conflitos. Melhor do que culpar o aluno e vitimar o outro é desatar os «nós» da tensão por meio do diálogo. A violência começa em tirar do aluno com deficiência o direito de ser um participante do processo de aprendizagem. É tarefa dos professores oferecerem um ambiente agradável para todos, especialmente os que a deficiência, se desenvolva, com respeito, harmonia e aceitação.

A tarefa mais difícil neste processo é quando existe a necessidade de conversar com os encarregados de educação sobre o bullying.
O 1.º passo será necessário mediar a conversa e evitar o tom de acusação de ambos os lados. Este tipo de abordagem não irá mostrar como o outro se sente ao sofrer bullying. Deve ser sinalizado aos pais que alguns comentários simples, que julgam até ser inofensivos e divertidos, são carregados de ideias preconceituosas. 

O ideal é que a questão da reparação da violência passe por um acordo conjunto entre os envolvidos, no qual todos consigam ver em que ponto o alvo foi agredido para, assim, restaurar a relação de respeito. 
Muitas vezes, a escola trata de forma inadequada os casos que são relatados por pais e alunos, responsabilizando a família pelo problema. É o papel dos professores sempre criarem um diálogo com os pais sobre os conflitos - seja o filho alvo ou autor do bullying, pois ambos precisam de ajuda e apoio psicológico. 

No inicio falei que no bullying pode surgir casos extremos. A primeira ação deve ser mostrar aos envolvidos que a escola não tolera determinado tipo de contudo e por quê. Nesse encontro, deve-se sempre abordar a questão da tolerância ao diferente e do respeito por todos, inclusive com os pais dos alunos envolvidos.
Mais agressões ou ações impulsivas entre os envolvidos podem ser evitadas com espaços para o diálogo. Uma conversa individual com cada um funciona como um desabafo e é função do professor mostrar que ninguém está sozinho.
Os alunos e os pais têm a sensação de impotência e a escola não pode deixá-los abandonados. É mais fácil responsabilizar a família, mas isso não irá contribuir para resolver o problema/conflito.
A conversa com todos os envolvidos não pode ser feita em tom de acusação. Deve-se pensar em várias maneiras de mostrar como o alvo do bullying sente-se com a agressão e chegar a um acordo em conjunto. E, depois de alguns dias, dever-se-à perguntar como está a relação entre os envolvidos.

O bullying é um problema sensível, pois envolve alunos que convivem numa comunidade, será necessário a união da comunidade escolar e da família, para que a prevenção seja eficaz. 


domingo, 11 de outubro de 2015

Educação Social - Trabalhar em Equipa



Trabalhar com equipas, quer seja como líder de uma única equipa quer seja como diretor de várias. O trabalho em equipa está rapidamente a tornar-se uma prática em muitas organizações, em que as hierarquias tradicionais associadas dão lugar a métodos de trabalho simples e de múltiplas capacidades.

O trabalho de equipa é a base de toda a gestão bem sucedida.Gerir bem equipas é um desafio importante e estimulante para qualquer líder.A verdadeira equipa é uma força dinâmica e em constante mudança, na qual determinadas pessoas se reúnem para trabalhar. Os membros da equipa discutem os seus objetivos, avaliam ideias, tomam decisões e trabalham em conjunto para atingir os seus fins.

Existem inúmeros tipos de equipas, formais e informais, cada um deles adequado a executar determinadas tarefas. Os líderes das equipas precisam de entender claramente os objetivos e as metas, para poderem adequar as tarefas ao estilo mais apropriado da equipa.

Numa equipa eficaz, cada membro conhece bem o seu papel.Ao mesmo tempo que eles têm os seus próprios pontos fortes, capacidades e funções, também devem contribuir para a «união» da equipa. Faz parte das funções do líder, ou então do diretor principal fazer com que isso aconteça.

Adquirir a mistura certa de experiência de uma equipa pode ser mais difícil do que encontrar as técnicas básicas, mas é vital que a equipa seja eficaz. Incentivar cada um dos membros a dar o seu contributo individual, tanto a nível pessoal como a nível técnico. 

Organizar uma equipa é a primeira tarefa de um líder. Certificar de que a equipa tem um objetivo definido e recursos suficientes para atingi-lo. Ser franco e imparcial no tratamento para com os membros.

Para que serve um equipa? A pergunta pode parecer óbvia, mas o tempo dispensado, no início de um projeto, a definir os objetivos da equipa é crucial para um resultado bem sucedido. Certificar de que definir claramente os assuntos que a equipa precisa de resolver, é o primeiro passo para o sucesso de uma equipa.

Um certo grau de independência é essencial num trabalho de equipa bem sucedido, no entanto poucas equipas são capazes de aguentar-se sozinhas. Fomentar boas relações e sistemas de apoio dentro da organização, que satisfaçam as necessidades da equipa.

A caraterística mais essencial do trabalho bem sucedido é a confiança. As equipas esforçam-se por obter confiança mútua, por isso ela deve ser estabelecida logo no início de vida de uma equipa. Promovê-la através da delegação, troca de ideias, abertura de conduta e comunicação.

É vital que todos trabalhem em conjunto para maximizar o desempenho da equipa.Atribuir às pessoas total responsabilidade pelas suas funções e dar-lhes poderes para executar e aperfeiçoar o seu próprio trabalho de maneira que optimizar a contribuição para toda a equipa. 

As equipas em autogestão são mais independentes do que as outras equipas. Encontram-se cada vez mais em organizações que simplificaram as suas estruturas eliminando os níveis de gestão média e controlo, à medida que reformaram as suas práticas laborais. 

Controlar uma equipa já estabelecida é um desafio. Enquanto partilha o processo de aprendizagem com uma equipa em formação, uma tomada de direção exige provas imediatas da sua capacidade para assumir o controlo e reconhecer os pontos fortes da equipa.

As equipas só se tornam devidamente eficientes quando toda a gente aprende a trabalhar em conjunto. Todos precisam de compreender a dinâmica da equipa, para assegurar o sucesso da equipa.
Os bons líderes de equipa tiram o máximo partido dos recursos humanos ao dispor. Para fazer isto, precisará de compreender cada membro do grupo, conhecer as alterações de comportamento dentro da equipa e como as reações individuais variam em diferentes etapas do desenvolvimento.

Os fortes elos de comunicação são vitais para o bem-estar de uma equipa. Os elos mais eficazes ocorrem naturalmente - por exemplo, numa conversa informal - mas precisarão de ser complementados pela nova tecnologia. Escolher o método mais apropriado que se adeqúe à equipa.

Tornar eficazes as reuniões de equipa é um teste importante às capacidades de liderança. A chave para efetuar uma reunião produtiva é envolver ativamente todas as pessoas nos procedimentos. Assegurar de que os membros da equipa compreendam a finalidade de cada reunião e o que se pode esperar dos mesmos.

Todas as equipas, qualquer que seja a sua finalidade, dependem, em grande parte, de uma boa estrutura de recursos. Utilizar ao máximo as ligações formais e as informais, tanto dentro como fora da organização, para fornecer um apoio valioso para a sua equipa.

Nenhuma pessoa ou equipa é uma ilha. As informações nos dois sentidos que fazem a ligação entre a equipa, o resto da organização e o seu apoio externo são vitais para a eficiência. Todos deverão lembrar-se de que a colaboração e a cooperação são retardadas pela ausência da comunicação franca.

Sem ideias novas, as equipas não têm muitas probabilidades de preencher as lacunas que geram o verdadeiro sucesso. O pensamento criativo é uma responsabilidade da equipa, em que todos os membros devem participar. Desenvolver o pensamento criativo em equipas através de muita formação e prática. 

Os membros da equipa não se limitam a resolver problemas - eles também os criam. É vital existir lealdade entre os membros da equipa para que todas as dificuldades, quer sejam pessoais, profissionais ou processuais, possam ser resolvidas antes de minarem o espírito coletivo da equipa.

Qualquer abordagem sistemática para melhorar o desempenho precisa de desafiar os processos de trabalho existentes. As equipas que procuram melhorar têm que aprender a criar as suas próprias tarefas, tentar resolver problemas, definir soluções e implementar as suas decisões com confiança.

Identificar novos desafios para uma equipa determinada é um dos aspetos mais excitantes do trabalho em equipa. Utilizar técnicas apropriadas para impulsionar a equipa na direção de maiores e melhores objetivos.
Se algo não puder ser avaliado, então não pode ser melhorado. Este princípio básico aplica-se a qualquer profissão e função. Definir padrões individuais e de equipa - de forma que eles sempre cumpram os prazos, por exemplo -para fornecer um objetivo modelo pelo qual o desempenho possa ser julgado.

Uma boa equipa está consciente da necessidade de permanecer dinâmica.Rever a evolução regularmente para manter a força viva, fornecer uma panorâmica geral e pedir aos membros da equipa, para definirem aspetos específicos do projeto que possam ser aperfeiçoados no futuro.

A formação ajuda a melhorar as capacidades técnicas dos membros da equipa e a desenvolver as relações empresariais e interpessoais dentro da equipa. Rever e requalificar constantemente as capacidades da equipa para combater com sucesso os desafios atuais e futuros, daí a formação constante ser um elo muito importante para a continuidade do trabalho de equipa.

Os objetivos são vitais para todo o processo do trabalho de equipa, sem eles não haveria cooperação. Servem também para fomentar o trabalho de equipa e o consenso. Motivam as equipas permitindo que elas decidam sobre a forma de atingir os mesmos. Uma equipa sem objetivos vai mostrar um desempenho inferior a outra que os tem. É necessário assegurar de que os objetivos da equipa entusiasmem os elementos, caso contrário, será necessário avaliar os objetivos e mudá-los.

Resumindo, a visão que sustenta uma equipa unida não termina com a tarefa em curso. Considerar o futuro da equipa tanto como grupo mas também individualmente, à medida que a evolução da carreira de cada membro é afetada pela sua experiência e sucesso dentro da equipa. É essencial continuar com o trabalho e pensar que todos os que fazem parte da equipa são importantes, a valorização pessoal e profissional é muito importante para que a equipa funcione e trabalhe de forma saudável.
Nunca devemos esquecer que um equipa é formada por pessoas todas elas diferentes, com ideais, ideias e opiniões diferentes, aproveitar o potencial de cada uma é alargar o conceito de equipa. 
Qualquer que seja a profissão,o trabalho de equipa é essencial e necessário, deve-se continuar a trabalhar para um melhor desempenho, para também prestar um bom serviço, qualquer que seja o profissional. 






quinta-feira, 8 de outubro de 2015

A Função Pedagógica do Brincar e do Jogo: a importância para o desenvolvimento da criança



Uma criança de qualquer classe social ou idade, nos dias de hoje, raramente encontra no meio familiar uma vivência de alegria, de participação e de comunicação afetiva. Isto deve-se ao muro de indiferença que emerge no seio familiar, onde os pais e os filhos acabam por perder a confiança afetuosa e a compreensão constante.

A UNICEF advertiu as autoridades quanto aos abusos cometidos contra a infância. Demonstra que 7,5 milhões de crianças entre os 10 e 17 anos precisam de trabalhar para sobreviver, 97 mil crianças antes de 1 ano morrem e milhões de crianças fogem das escolas, são expulsas e/ou reprovadas. 

O Direito de Brincar está reconhecido no principio da Declaração dos Direitos da Criança, adotados pela Assembleia Geral da ONU a 30 de Novembro de 1959, e é considerado tão fundamental para a criança como o Direito à saúde, á segurança ou à educação (Instituto de Apoio à Criança - Declaração do IPA sobre a Criança e o Direito de Brincar).

Brincar, ocupa dentro dos meios de expressão da criança um lugar privilegiado, sendo também uma aprendizagem para a vida adulta.Ao brincar e ao jogar a criança aprende a conhecer o seu próprio corpo e as potencialidades, desenvolve a personalidade e encontra um lugar na comunidade. Brincar é superar a frustração, o que implica a distração, o divertimento, a investigação, a criação e a evolução.

Jogar e Brincar permite à criança o crescimento, a integração e o desenvolvimento. A criança Joga e Brinca para descobrir o mundo, ou seja, as pessoas e tudo que a rodeia, tudo isto para ser reconhecido pelos outros, para aprender a observar o seu ambiente, para conhecer e para dominar o seu mundo.

Montessori referiu que «a criança, um ser em criação. Cada ato é para ela uma ocasião de explorar e de tomar posse de si mesma; ou, para melhor dizer, a cada extensão a ampliação de si mesma. E esta operação, executa-a com veemência, com fé: um jogo contínuo. A importância decorre de conquista em conquista, uma vibração incessante». (Educação Lúdica Técnicas e Jogos Pedagógicos)

No ponto de vista do desenvolvimento da pessoa, Jogar e Brincar, são uma necessidade, porque iniciam uma boa relação com a realidade de forma agradável e permitem a integração no mundo das relações sociais. 

Os jogos contribuem para o desenvolvimento, a ação, a decisão, a interpretação e a socialização da criança, onde aprende a ser ela própria, a ser um individuo, a respeitar a sua personalidade e a respeitar os outros, ou seja:
  • dar importância a si mesmo;
  • acreditar nas suas potencialidades;
  • aceitar os seus valores.
Os jogos oferecem à criança a possibilidade de ser e estar ativa face à realidade. A criança suporta tensões, obrigações, passividades, mais ou menos impostas pelos pais, pela moral, pela natureza e pela própria realidade das coisas, e uma das alternativas que tem é a de aproveitar ludicamente a realidade e com ela brincar. 

O jogar e o brincar devem ser uma função essencial na vida das crianças, devem surgir espontaneamente e sem ajuda, ou pode ser orientada pelo Educador e converter-se numa preparação para a vida social e pessoal, sem perder o seu valor afetivo e o seu poder criativo.

A forma de jogar não é só uma, há que respeitar a escolha livre das atividades realizadas e a alegria e a motivação que suscitam. Tal como Montessori, o Claparéde afirmou que «a criança tem uma vida própria: a sua vida. Essa vida, ela tem o direito de vivê-la, e vivê-la feliz». (Educação Lúdica Técnicas e Jogos Pedagógicos)

Sabemos que é impossível utilizar a atividade lúdica sem lhe dar forma de jogo.
A criança que joga e brinca não destrói, não esbanja as suas forças, não desperdiça energias e não é rebelde.
Segundo a definição de Huizinga, o Jogo é «uma ação ou atividade voluntária que se desenvolve sem interesse material, realidade dentro de certos limites fixos de tempo e espaço, segundo uma regra livremente consentida, mas absolutamente imperiosa, provida de um fim em si mesma, e acompanhada de um sentimento de tensão e alegria». (O jogo infantil - Instituto de Apoio à criança)

O jogo não é para a criança uma diversão improdutiva nem um trabalho obrigatório, determina certas ações que permitem revelar habilidades, exercitar aptidões que levam à realização de descobertas e á formação do comportamento.
Quando se fala de Jogo, estamos a referirmo-nos a uma atividade muito especial que cumpre com uma série de caraterísticas distintas, capazes de converter numa forma única:
  • livre e voluntária;
  • divertida, prazerosa e satisfatória;
  • satisfatória para o jogador (criança), o que implica o riso, o gosto, o sentimento e o prazer;
  • gratuito na sua essência, toda a criança joga sem cobrar pelo jogo;
  • participativo e implica certo grau de comunicação;
  • oferece a possibilidade de desinibir e de superar os limites do dia-a-dia;
  • limitado no espaço e no tempo;
  • global e total.
A entrega total à fantasia e ás situações imaginárias que os jogos oferecem, permitem a libertação e a revelação de poderes para criar, imaginar, de ser si mesmo, saber comunicar desconhecidos.
É este o verdadeiro Valor e Interesse do Jogo e do Brincar.
Deixem as crianças brincar e sentir a sensação do jogo verdadeiro. Há que consciencializar os pais da importância do brincar, e brincar não será com as novas tecnologias mas sim com brinquedos e jogos, para que os filhos consigam ser pessoas para uma vida adulta saudável.




quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Racismo - Uma reflexão universal


A raça, um falso conceito, uma verdadeira opinião. O racismo, uma teoria falsa, uma prática que mata. O sucesso de uma palavra.
 A atualidade deste século XXI é feita de conflitos entre as diversas identidades que povoam o planeta humano. 

Se as teorias do racismo, tais como racismo, a xenofobia, o ódio étnico, as guerras de identidade prosperam sem vergonha no mundo, então o mundo terá um fim desagradável.

A palavra racismo é um daqueles sacos onde tudo cabe, cujo o sentido se verga aos diversos usos que os utilizadores fazem dela. Hoje em dia é no plural que ela se declina. 
O racismo faz parte das palavras terminadas em «ismo» que, pela magia do seu sufixo, pretendem fundar uma teoria a partir de um novo conceito.

Raça, racismo, heterofobia, xenofobia. Qual o sentido de cada uma destas palavras? Que objetos designam?
A palavra raça é um conceito para categorizar diferentes populações de uma mesma espécie biológica, como as suas características físicas.
A palavra racismo é a convicção sobre a superioridade de determinadas raças, com base em diferentes motivações, em especial as características físicas e outros traços do comportamento humano.
A palavra heterofobia vem do temor, medo, aversão, ódio, rejeição daquele ou daquilo que vem do exterior. Por extensão, rejeição do «outro», do diferente, pelo seu aspeto, o seu sexo, a sua maneira de ser, a sua cultura ou o seu estilo.
A palavra xenofobia vem do temor, aversão, ódio, rejeição daquele que é apercebido como sendo estrangeiro, daquilo que vem do estrangeiro porque supostamente ameaçador de um equilíbrio, de uma harmonia local. 

A raça, racismo, heterofobia, xenofobia, cada um destes termos reenvia-nos para noções tais como a classificação da espécie humana ou para sentimentos de medo e de ódio.

O racismo exprime-se primeiro que tudo nas palavras do quotidianos, na linguagem. Os textos, os sábios discursos autorizam em seguida a passagem ao ato, à prática política. 
O racismo repousa sobre um paradoxo da razão: a vontade de classificar, de pensar em termos de teoria, confrontada com o efeito perverso desta busca intelectual, quando esta última legitima a rejeição do outro. 

O racismo já percorre uma longa estória de maldade e de vergonha humana como por exemplo: os conquistadors e os índios americanos; o tráfico de negros de África para o Brasil; os índios da América do Norte (o famoso Far-West); a escravatura nos Estados Unidos; o genocídio dos arménios e minorias do Cáucaso; a colonização; o apartheid na África do Sul; o nazismo na Alemanha; os Ciganos; o genocídio ruandês; o islamismo radical no Próximo Oriente; xenofobismo na Ex-URSS; na Ex- Jugoslávia a chamada «purificação étnica»; o etnocídio no Tibete.

A crise social que bate à porta dos países desenvolvidos, só alimenta uma xenofobia transformada numa máquina de guerra política.

Sempre fez parte do «discurso e da história oficial» que os Portugueses não são um povo racista, que sempre respeitaram os outros povos e com eles mantiveram boas relações. O Brasil e a criação da mestiçagem são apontados como exemplos paradigmáticos desta diferença.  Mas será assim?

Todos os povos se consideram únicos, perfeitos e especiais, e os portugueses não fogem à regra. Mas isto não significa que sejamos melhores ou piores que os outros povos. O colonialismo português foi diferente, mas também o inglês, o francês, o holandês e o espanhol. 

Portugal foi sempre um país de emigrantes e de imigrantes. Estes são na sua maioria homens, jovens, com poucas habilitações literárias e a trabalhar atualmente na construção civil. Contudo, começamos a ver uma mudança, com a vinda que muitos imigrantes já com um elevado grau de habilitações literárias, e que tentam integrar o mercado de trabalho português, aprendendo a língua portuguesa, para facilitar a integração. 

O combate contra o racismo não é uma questão de bons sentimentos mas uma luta que se leva a cabo em várias frentes. Dispositivos jurídicos nacionais e internacionais tem vindo a tentar colocar atitudes, escritos e práticas racistas sob a alçada da lei e sujeitos a punição. 

O trabalho de memória, a educação cívica, a escola são os primeiros vetores da luta contra o racismo. Ela passa pela reconstrução de algumas referências morais e essenciais radicalmente distantes da atual atmosfera dos tempos. 

A luta contra o racismo consiste antes de mais em lutar contra os preconceitos mas também contra as demagogias e as generosidades de aparência. 
O racismo é universal. Reduz a ideia de humanidade.
Kadaf disse: «quando batemos num judeu, é a humanidade inteira que atiramos à terra». 
Podemos dizer de outra forma: quando salvamos um homem, é a humanidade que salvamos.
 Este é lema para ser transmitido, o lema para ser alcançado. O ser humano tem o direito de viver neste mundo pequeno, tem o direito de ter a sua raça, a sua cor, a sua ideologia, como também tem o dever de respeitar tudo e todos. Não somos obrigados a convertermo-nos em algo ao qual não acreditamos, mas como ser humanos devemos aceitar o outro tal como ele é, desde que este o faça também.
Vamos ter esperança que um dia tudo e todos possam viver dentro de um clima mais saudável de ser respirado. 




quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Lágrimas que correm pelo meu rosto

Acordei quando senti as gotas a caírem pelo meu rosto. Será que é chuva ou será que são lágrimas? Olhei para o céu, e nem uma única nuvem negra, carregada para explodir sobre os grandes edifícios e sobre as pessoas que circulavam nas ruas.
Percebi que eram realmente lágrimas que escorriam pelo meu rosto de tristeza, escorriam como se usassem o meu rosto um escorrega.
Escorriam alegres...alegres? Porquê? Se quando choro é de tristeza...mas coitadinhas estiveram á tanto tempo presas dentro dos meus olhos, quando as libertei ficaram contentes. Até as lágrimas são felizes.
Percorro as ruas, há procura de comida. Peço aqui, peço ali, peço... Transformei-me num «pedinte andante», um pedinte que só quer comer uma vez por dia, pois não tem mais por onde buscar.
Que vida levo agora! 
Mas se recuar, até fui feliz em tempos...

Cresci numa casa feliz, onde a educação e a transmissão de valores eram essenciais, para que eu e os meus irmãos...sim irmãos. Tenho dois irmãos (a Sara e o Pedro). 
Éramos felizes. Brincávamos e brigávamos, mas no meio destas tempestades todas éramos unidos.
Fizemos os três a faculdade: A Sara tirou o curso de superior de Professora de 1.º Ciclo, dizia ela que adorava crianças e que adorava ensinar-lhes a ler e a escrever; o Pedro tirou o curso de Desporto, amante do ar livre e de desportos radicais; e, eu (Tiago) andava a tirar o curso de gestão, pois adorava dinheiro e tudo que envolvesse a economia. Éramos os filhos que qualquer família gostaria de ter. 

A Sara e o Pedro foram os primeiros a casar e a dar netinhos (como o meu pai os chamava).  Eu gostava mais da vida boémia, de sair com os amigos até ás tantas, de saltar de rapariga em rapariga.

Mas o destino pregou-me uma partida.
Apaixonei-me perdidamente por uma rapariga no meu último ano da faculdade. Em plena serenata, reparei numa linda morena. Meti conversa com ela, finalista de Enfermagem, seu nome Maria. Conversa aqui conversa ali, começamos a dar-nos conta que tínhamos muita coisa em comum. Quanto mais falava com ela, mais deslumbrado ficava. Tinha os olhos de cor de amêndoa, o cabelo cor de alcatrão e a sua boca cor de cereja. 
Acabamos o curso e namoramos três anos até ao dia no nosso casamento. Sim, casamento. O rapaz das noitadas, pediu em casamento a mulher da sua vida e casou com ela, num dia lindo de verão. Foi o começo de uma nova vida e de uma nova etapa a dois.

Nos primeiros anos tudo corria maravilhosamente bem. Depois com a ganância de ter uma vida de rico, aceitei fazer parte de uma empresa de investimento. Não tinha horários, nem fins de semana. A minha vida era só trabalho, trabalho e esquecia-me da minha vida pessoal. 
Passei horas e dias sem dormir. Era desgastante. 

Nasce o meu primeiro filho: Miguel. Lindo, perfeito, um ser inocente, mas maravilhoso. Prometi à Maria que iria passar mais tempo em casa para acompanhar o crescimento do Miguel. 
Mas foi o contrário...passava menos tempo em casa, e quando estava em casa discutíamos, e eu respondia que tinha de ganhar mais dinheiro porque a família tinha aumentado. Maria olhava para mim com tristeza e calava-se. 

Nasce o meu segundo filho, neste caso filha: Madalena. Outro ser lindo, perfeito, maravilhoso e único. Mais uma promessa, mais um incumprimento. 

As exigências no emprego cada vez eram maiores, tinha de cumprir objetivos, nem que tivesse de ficar a dormir no trabalho. Comecei a perder clientes que investiram e começaram a ver o seu dinheiro a desaparecer. A economia cada vez estava pior e não sabíamos como havíamos de ultrapassar, sem que perdêssemos o dinheiro dos mesmos. O meu chefe não estava nada contente com os resultados, pois a empresa estava a perder clientes e credibilidade. Mas que culpa tinha eu, se a economia estava em queda? Tinha e muita, segundo o meu chefe. 

Comecei a pensar que tinha uma esposa e dois filhos para cuidar e se perdesse aquele emprego como haveria de continuar a sustentar a família. 
Nada, mas nada surgia. E cada vez menos ia a casa e cada vez mais perdia clientes.
O dia que marcou a minha vida e me transformou no que sou hoje, foi quando Maria fez me um ultimato: ou ela ou o emprego. 
Tinha de ter os dois. Não havia hipótese de escolha, ambos eram necessários faziam parte da minha vida. 
Maria disse-me: «És bom  no que fazes, podes encontrar outro emprego». Mas eu não queria outro emprego, queria aquele. Queria a ela e os meus filhos. Queria a família. Queria tudo.
Os meus pais e os meus irmãos sempre me avisavam: «Tem cuidado Tiago, um dia vais perder a tua família e o teu emprego se achares que o mais importante és só tu e mais tu. Quem tudo ganha tudo perde». 
Agora percebo o que queriam dizer. 

Maria pede o divórcio, com aquele olhar triste e de certo que ainda me amava, mas já não conseguia viver com uma pessoa «egoísta, só pensas em ti e esqueceste que na tua vida também somos nós: eu e os teus filhos fazemos parte dela» (palavras de Maria).
O meu chefe despede-me alegando: «Diminuição de despesas e de pessoal devido à crise económica que se verificava no mundo». Boa argumentação. 

Nesse dia, não tive coragem de voltar a casa. Tinha perdido a família e o emprego. 
Como haveria de suportar as despesas, a vida que se tinha, o divórcio? 
Não sabia. Vaguei pelas ruas horas e horas, sem destino, sem rumo. Parei num bar e bebi até cair. Sempre ouvi dizer que beber não mata mas faz com que se esqueça.  
Acordei e só me lembro de estar sem carteira, a sangrar e com a cara dorida. Não me lembrava de nada e nem onde estava. Como se alguém me tivesse apagado a memória e de todas as recordações que tinha. Ou talvez fosse eu que quisesse que fossem apagadas. 

Agora aqui estou na rua, a mendigar. Sim, um sem-abrigo. Mais um nas ruas, mais um nas estatísticas, que todas as noites procura um abrigo para dormir, mais um que pede para comer, mais um que é ignorado e desprezado, mais um e mais um. Um nada... 
Que tem vergonha de voltar a casa pelo seu insucesso e pelos seus erros. Como eu também, há muitos colegas que andam a vaguear pelas ruas á procura de força para voltar ás origens. Eu sou uma das poucas estórias, existem outras muito mais difíceis e com maiores dramas.
Eu sou um simples homem, eu sou um sem-abrigo que está a pagar por ter perdido o que mais valioso que um homem poderá ter: a Família. 
Talvez um dia ganhe coragem e volte. Talvez um dia me aceitem. Talvez um dia eu nem seja eu...
Acordei quando senti as gotas a caírem pelo meu rosto. Será que é chuva ou será que são lágrimas? São lágrimas, lágrimas que escorrem pelo meu rosto...um dia...espero um dia...por uma resposta!